domingo, 18 de novembro de 2007

Por onde passa a lógica

Lógica é um capitulo da filosofia que trata do desenvolvimento do pensamento.

A lógica parte de premissas, que são verdades independentes que juntas implicam em uma última verdade final.

Premissa 1 : João usava blusa listrada.
Premissa 2 : João usava calças estampadas.
Implicação : João estava descombinado.

Pra que a Implicação seja verdadeira, é necessário que todas as premissas também sejam. Numa argumentação, é necessário que o ouvinte esteja plenamente convencido de que a primeira premissa seja verdadeira, para então passar para a próxima ou inferir a implicação.

Há muitos joguetes de palavras que permitem fazer implicações sem premissas. Por exemplo:

Premissa 1 : Todos sabem que boné é coisa de carioca.
Premissa 2 : José usava boné.
Implicação : Então José é carioca.

Em nenhum dicionário do mundo se vai encontrar na descrição do gentílico do Rio de Janeiro como aquele que usa boné. No entanto para aquele que não conhece o Brasil ou o Rio, essa informação não pode ser comprovada ou desaprovada. Ou ainda, o desconhecimento do ouvinte àquela afirmação pode leva-lo a pensar: "Será que todos sabem menos eu?" ou "Se ele tá dizendo é porque é". Tornando a premissa verdadeira, mesmo que não seja.

Muitas dessas artimanhas são usadas todos os dias em jornais, revistas, televisão, pessoas mau intensionadas e constantemente por políticos. É o que se chama controle de informação. É usada para manipular a opinião pública, guiar os rumos do povo refletindo os anseios de quem detem a informação.

Foi usada em escala planetária pelo pentagono para angariar apoio popular na guerra contra o terror, com o seu abominavel e agora formalmente inexistente Psyops, sigla para Comando de Operações Psicologólicas. Na época a CNN recebeu 5 estagiários do exercito, que aparentemente plantariam notícias fraudulentas em favorecimento das investidas militares. A própria CNN posteriormente, quando isso foi descoberto, declarou já ter reconhecido que o programa era inapropriado e que o teria encerrado.

Esses jogos são facilmente percepctiveis para o telespectador mais atento, com palavras chave como 'É fato que', 'É óbvio que', 'É evidente', 'É lógico', 'Certamente'. Ou com afirmações soltas, sem introdução, justificativa ou fim.

Hoje mesmo li na VEJA uma reportagem sobre o populismo na America Latina. Em que o redator afirmava que "Hugo Chaves estava mais interessado em implodir o Mercosul e a Alca e apenas intensionava juntar aliados contra os Estados Unidos." E era só essa a afirmação dentro do quadro, que figurava solto junto com outros. Leitores, vocês podem imaginar que um presidente eleito duas vezes com grande apoio popular possa levar o seu mandato girando em torno de picuinhas com outros presidentes?

E as armas de destruição em massa no iraque? Parte da culpa é também de jornalistas, que muito crédulos nos governantes, nem sempre investigam as informações que lhes chegam a fim de confirmar.

Outra falácia muito em cartaz é o filme tropa de elite. Que ao mostrar PMs entregando armas aos traficantes, diz: 'Pra mim quem ajuda bandido é cumplice!' Nessa cena essa frase é verdadeira, parte de premissas verdadeiras. Posteriormente um estudante de direito de classe média alta, o que já configura uma distorção, já que somente uma parcela insignificante da população pertence a esta classe, é acusado de ser cumplice do tráfico. A lógica passou longe!!!

Pergunto a vocês, leitores, João quer os talheres ao lado esquerdo do prato; José, ao direito. Eles brigam, quem é o culpado da briga?

O uso de drogas é condição necessaria para o fomento da criminalidade, mas não é condição suficiente. Além do uso, é preciso que haja proibição. Esses dois fatos JUNTOS, convergem em criminalidade. Eliminada qualquer uma das duas condições o resultado esperado já muda.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A boa e a má perspectiva

Todos os dias no mundo contemporâneo acontecem muitas tragédias, não são mais do que antes. Muitos vão fransir a testa como eu fazia a não muito tempo atras e em seguida remontarão aos tempos narrados na bíblia, em genesis, onde todo o pecado começou. Eu digo NÃO. Não estamos vivendo em pecado, exceto individual e não obrigatóriamente.

Remontemos com mais cuidado, recorrendo também ao que a ciência moderna tem descoberto e estimado: No ano 1000 a terra contava com 310 mil habitantes, pouco mais do que a população de Florianópolis nos dias atuais, pra 750 anos depois chegar a marca de 791 mil. Um crescimento bastante lento, era assim antes da revolução industrial, que trouxe os remédios, o fim da vulnerabilidade da vida mediante doenças fácilmente tratadas hoje em dia.

Hoje somos 6.8 bilhões. É racional esperar que com uma população quase 22 mil vezes maior haja o mesmo número de homicídios, sequestros, desrespeitos, corrupção e todo mal que afeta o homem?

Lembram desse post? Embora não haja interdependência dele com esta leitura, eu o recomendo para maior compreensão do que escrevi até aqui.

É normal que com um número verdadeiramente maior de pessoas haja também um número igualmente maior de ocorrências de todo tipo, tanto maravilhas quanto tragédias.

Por isso muito cuidado com as coisas ruins que encontrar aqui pela internet. Saiba identifica-las, não as confunda com méro entretenimento.

Todos os dias crianças e adultos sofrem queimaduras, sofrem quedas, são atropeladas. Acidentes acontecem quanto maior for o número de pessoas envolvidas(todos nós).

Muitos desses acidentados recebem alta, outros sofrem escoriações leves ou saem sem arranhões. Porque é então que nunca ao abrir o e-mail lemos algo do tipo: "Este homem perdeu o controle do carro e acabou caindo em uma ribanceira. Veja as fotos chocantes do seu cotovelo ralado e mande para todos da sua lista."?

Mesmo quando a tragédia for realmente grande, o que é que aqueles curiosos que se aglomeram no local ganham? No máximo provocam outro acidente.

Não entendo o porquê da morte ser algo tão mais facinante que a vida. Muitos desses que supervalorizam o fim acabam por não aproveitar o meio ou o início.

O próprio crescimento populacional é um motivo lógico para alegrar-se. Significa que se muitos morrem muitos outros nascem. Se muitos adoecem muitos mais morrem de velhice.

Mesmo que a pessoa em questão seja próxima, pense que você tem muitos outros próximos ainda vivos e saudáveis. Ou que muitos dos que ainda vivem também têm pessoas próximas, que normalmente não valorizarão a sua vida, a tomarão como um direito. A vida não deve ser encarada como um direito e sim como um privilégio, nem a morte como um castigo. Quem vê a vida como um direito, não se sente beneficiado, ao contrário: Não encontra ou contempla o que absorve da natureza através dos sentidos e ira-se quando os perde parcial ou completamente.

Tenha esperança no futuro, pense nos avanços que já foram feitos, no potencial das pessoas que verdadeiramente querem mudar o mundo. Talvez o futuro nos reserve a cura de doenças, o fim da violência, a diminuição da pobreza. Se você acreditar na mudança, sentir-se-a motivado e integrado. Se sua perspectiva for pessimista, vai achar que não adianta fazer nada, desanimar-se-a.

O que faz com que as pessoas sejam mais ou menos felizes não são as coisas que lhes acontece. Mas sim as atitudes que assumem ante estes acontecimentos. As pessoas menos felizes remoem os problemas que têm ou veem, enquanto as outras livram-se de problemas insolúveis e concentram-se nas possibilidades de melhora do que pode ser melhorado.


Wikipedia - Crescimento Populacional - 29/10

domingo, 14 de outubro de 2007

Não sei como penso

Nem como se forma meu pensamento, só sei que penso através dos meus sentidos. Sobre a existência de D-us, porquanto, eu nada afirmo. Venero individualmente o poder eterno e não me compete descreve-lo ou limita-lo. Contento-me em saber que existem muito mais coisas para além do meu pensamento.

Mas por estarem a uma distância desconhecida do limite da minha compreensão, não afirmo não existir. Porque por exemplo, se com meus pequenos olhos eu não consiga avistar algumas galaxias que muitos telescópios de hoje em dia facilmente fotografam, deveria eu afirmar que elas não existem?

sábado, 29 de setembro de 2007

O círculo do conhecimento e da eternidade

Herculano era varão reto, justo. Andava com D-us e em instâncias segundas e terceiras também com a ciência, mas não era um xiita.

No seu curso de exatas não via problema algum em abrigar duas visões tão distintas do mundo. Pelo contrário, ele as via totalmente distintas, pois centrava-se, quase sempre, nos capítulos mais recentes da filosofia e da ciência contemporânea. Mais precisamente nos últimos 40 anos que se passavam desde o início da revolução industrial.

Assim Herculano explicava coisas de uma forma, outras de outro, segundo o tempo que havia passado.

Era muito metódico. Entre as maluquices que ele mais cismava, havia uma que até o contradizia enquanto cientista:

Envolve tantos paradigmas uma afirmação - pensava ele - A natureza é tão inconstante e o que sabemos é demasiado pouco se comparado a toda a profusão de variedades e detalhes que D-us fez.

Não controlava a ira nas discussões mais humanas, mais psicológicas. Rejeitava a psicologia como ciência, dizendo:
- Somos seres pensantes que se diferenciam dos outros pelo dom do pensamento. É tão pequena a parte da consciência que conhecemos. Mais ainda é a ligação abstrata entre a mente e o cérebro. Não é certo fazer afirmações às cegas sobre o que conhecemos muito pouco.

Quando pensamos é o embasamento da teoria que nos diz o rumo certo. Com uma base insolúvel dentro das outras ciências, como afirmar com tanta convicção?

Num sábado ao final da tarde, o cientista de D-us cerrou seus olhos até a linha do horizonte, onde esmaecia o último raio de sol. Voltou pra casa e nem deu bola quando sua mulher do quarto o chamou. Trancou-se no banheiro e ficou por 20 minutos contemplando o vaso sanitário.

Puxou a descarga e viu: Era caótico o movimento da água dentro louça. A ciência dos homens não explicava o 'sopro divino de vida nos narizes' assim como não explicava o movimento daquela porção de água.

- Quão seguro é pra mim e pra minha mulher apertar esse botão da descarga se ninguém sabe o suficiente o que acontece.

Ali ele viu toda a sua vida e todo o seu conhecimento vulnerável por conta de um abismo. Um abismo entre as coisas mundanas e as coisas sem explicação. Mais um, como o da dualidade partícula/onda. Como o movimento contínuo e misterioso dos corpos celestes. Só que agora muito mais perto dele.

Temeu pela sua vida e de sua esposa e decidiu nunca mais arriscar-se no desconhecido.

Passaram-se anos, sua mulher se cansou e pediu divórcio.

Ele continuou não puxando a descarga, até que um físico Eslovaco e cético, fazendo uma pesquisa na unidade de Quebec da Universidade de Montreal, descobriu sem querer a natureza do caos. Divulgou sua descoberta e se consagrou como um grande cientista do seu século.

O homem nunca mais se casou. Com o tempo e a experiência, D-us encheu o seu espírito de conhecimento, que nunca se vira desde os Reis Longevos varão tão sabido e letrado. E ele se tornou um grande inventor de invenções. Muitas coisas que existem hoje foram pensadas por ele ou só foram possíveis depois das suas descobertas.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A dureza concreta

Já parou pra contar quantas coisas escolheu pra serem necessárias? Pois eu andei pensando nisso, dia desses, na fila do ônibus. Não é novidade aqui entre meus leitores que algumas linhas aqui de Floripa operam sempre, ou pelo menos nos horários de pico, lotados.

E foi curioso observar como tanta gente se amassava, pisava e chutava levemente a panturrilha do outro pra ter onde sentar. Não é pra qualquer um, diz-se que suporta 85 pessoas em pé e 45 sentadas.

Aí rola a sessão reclamação, que é a hora onde aquelas pessoas que se pisaram como todos mas ficaram em pé, têm pra murmurar. Ou contra os poderosos das empresas de ônibus, coisa que já virou 'chiclê'. Ou contra um grupo de usuários, que não diferentemente das outras pessoas, se apressa em buscar um assento ou ainda em caso de individualidade extrema fura a fila.

Pois bem, não venho protestar por um transporte público e de qualidade. Afirmo que meu post de hoje serve até para aqueles que não pegam ônibus.

Vocês podem acreditar que ficar em pé pode danificar, quando não estragar completamente o humor de muitas pessoas? Mais grave ainda: Não ganhar na mega-sena pode também arruinar um dia?

A escolha de necessidades muitas vezes é inconsciente e se faz naturalmente, de acordo com o que nós nos acostumamos. O que é péssimo, não controlar necessidades significa infelicidade e insatisfação.

Quem além das próprias pessoas decide em que situações, o quanto se embirrar e pra quê? A resposta pra essa pergunta põe o foco da conjectura no lugar certo: na psicologia.

Quando iremos encontrar a verdadeira felicidade e atingir níveis razoáveis de satisfação se todos os dias nos frustramos pela não conformidade da vida real com uma porção de desejos e necessidades fúteis?

O auto-desconhecimento é tanto que se perguntadas, a maioria das pessoas não saberia enumerar o conjunto de coisas mais básicas que colaboram para a melhoria da qualidade de vida de cada uma delas. Estão muito hipnotizadas com a dureza concreta das construções pra perceber algumas gaivotas sobre o próprio telhado.

Meu mestre acredita que só existe felicidade com um rígido, contínuo e disciplinado programa de redução de necessidades. Ela não é possível sem saúde e saúde só é trivial para aquele que tem controle e compreensão dos seus sentidos.

"É a tua existência tonta, mais uma vez precisando de oração. Se o que te corre nas veias já não te sustenta mais, te resta o chão. O limite de onde nunca passarás. Senão pra vala comum com sete palmos à contar, pra tua pouca magreza dois ou três hão de bastar."

Entenderam?

domingo, 2 de setembro de 2007

Por poucos pra muitos

Democracia pode ser direta ou indireta. Aristóteles, no seu livro Política (LEIAM), dissertou sobre SEIS formas de governo, se eram justas, se eram necessárias, se tinham problemas, quais eram. Para ele o que hoje é a democracia direta, é um governo injusto governado por muitos. E o sistema justo controlado por muitos, chamou de Politéia, hoje traduzido como Republica (do latin Res Publica, coisa pública) - Essa hoje, costuma-se chamar democracia indireta ou de representatividade.

No sistema direto, o povo da sua opinião direta nos assuntos. No indireto elegem um reduzido número de representantes, que decidirão entre eles.

O grande problema é que democracias diretas não se encaixam bem em grandes populações. Historicamente em Atenas mesmo com uma população razoavelmente grande e um comercio desenvolvido pra época, a maioria da população não era composta por cidadãos.

A democracia direta abre uma brecha muito aproveitada pelos políticos de hoje (e de sempre). É a demagogia. Por esta razão os EUA decidiram por uma democracia representativa.

Muito bem, vou explicar o porquê desta brecha. Demagogia e populismo são faces da mesma moeda, apelam para os instintos mais emergenciais do povo. A coisa anda tão má, que mais vale dez HOJE, do que cinco a mais todo mês. A gente precisa é pra hoje, não podemos esperar. E eles se aproveitam justamente disso. Parece ser apenas algo ilusório, criado pelas elites. Um pequeno e constante golpe pra continuar no poder. A mesma dinastia desde o Brasil colônia, muda o nome, sobrenome e vestimenta. O proletariado NÃO TEM e NUNCA TEVE um voto verdadeiramente livre. Já que as classes mais altas são as formadoras de opinião. O público já esta doutrinado com essa propaganda. Democracia direta só seria possível pelo sistema socialista (que é utópico). Dai um ano de eleição já começam com aquela história "VOTE! Exerça o seu papel para o futuro do País." VÁ SE FODER! - Jogo de cartas marcadas e política de pão e circo.

Outro problema da democracia é que ela impede que objetivos de longo prazo sejam alcançados sem tropeços, mesmo que sejam necessários, são postos meio de lado no governo seguinte. Prova disso é a denominação que os ministros constantemente dão para as políticas do atual presidente.

- Não é a política econômica do Palocci, e sim do presidente Lula - diz ele todo faceiro.

E quando ele sair? O governo Lula e todos os outros que se explodam, são todos efêmeros, a única coisa eterna aqui é a nação. Deveria chamar de política econômica do Brasil. Achou que tava dando uma boa resposta aos jornalistas e deu uma baita mancada. Tudo bem, ninguém percebeu e até acharam bonito como ele é fiel ao seu presidente, né? Nem os próprios adversários pensaram nisso. Essa não é uma regra mental que existe. Isso nunca foi dito, nunca foi pregado, nunca foi doutrinado.

O primeiro registro histórico do voto obrigatório surgiu na Grécia, pelo 'Deputado' Sólon. Que aprovou uma lei obrigando todos os Atenienses a escolherem um partido. Do contrário, seriam privados dos seus direitos de cidadãos. (Isso não lembra algum país que você conhece?)

O voto obrigatório facilita a criação de currais eleitorais, eleitores de baixo nível educacional e social são facilmente cooptados por políticos de maior poder financeiro e influente. Usam técnicas de marketing dignas das melhores empresas de publicidade do país e do mundo. Quando não dinheiro vivo ou favorecimentos individuais.

O voto é um DIREITO, não uma obrigação. Ninguém pode ser coagido a participar ou opinar no que quer que seja. Este é um país livre! (ou pelo menos é o que dizem) Porque normalmente não questionamos o voto obrigatório e até concordamos com aquelas propagandas que fazem contradição a tudo que nos é enfiado na cabeça também, aquele papo de liberdade, ir e vir, livre arbítrio, e tal? - Eu tenho a resposta: Adestramento.

Faz-me até pensar (e não é a primeira vez), que esse baixo nível educacional e de intelectualização das pessoas é proposital. Pra sustentar o poder na mão de quem já esta. Pra continuar tudo assim. Muito cômodo, não sei quantas verbas extras, não sei quantos auxílios, décimo quarto salário, convocação extraordinária virtual.

Hoje em dia as sessões do plenário são mais na base do 'vamos fazer o que o alto escalão do partido mandar' do que 'vamos fazer o que é certo para o País'. Virou uma putaria, se me permitem a palavra (e é claro que não permitem). É um troca-troca de partido, um conchavo, inimigos esclarecidos fazendo alianças, um muda-muda de opinião. Tudo lá esta muito individualizado.

*A origem do vocábulo Demokracia é "Governo do povo" ou ainda "Governo do povo para o povo". Ambas se opõem as formas de governo totalitaristas que dão o poder a uma elite auto-eleita, a famosa "Patota".

E por ai vai... vai pra onde?

domingo, 19 de agosto de 2007

Católico e caótico

O vaticano afirmou na última terça-feira, senhores, que as comunidades cristãs não romanas não eram igrejas completas cujos membros todos andavam com D-us. Bento XVI vem fazendo afirmações de mau gosto desde que recebeu o papado.

Neste mesmo discurso na universidade de Ratisbona citou um trecho de um diálogo entre o imperador bizantino Manuel Paleologus II e um educador persa, no século XIV. A frase é do imperador mas foi associada à Jihad pelo papa, que deu essa conotação introduzindo por cerca de 20 minutos falando sobre terrorismo e islã. Dizia o seguinte “Mostre-me o que Maomé trouxe que era novo, e lá você encontrará apenas coisas más e desumanas, como sua ordem para espalhar pela espada a fé que Ele pregava”

Vale uma observação feita por mim e desconsiderada em todos os meios pelos quais tive ciência do acontecido. Esse diálogo consta no Talmud babilônico, da literatura judaica e não-cristã. Se vocês se interessarem em ler, verão que se trata de um documento que nega jesus cristo e não fala absolutamente nada de Jihad ou Islão. Será uma doença endêmica do poder ludibriar os fiéis(povo) utilizando a ignorância deles próprios?

A crise deflagrada pelo papa no Islão e nas igrejas protestantes evidencia duas verdades, a primeira delas é que o cardeal Ratzinger pode ter vocação pra tudo, menos pra diplomata. A segunda é que o estado de hostilidade permanente existe mais evidentemente claro entre o cristianismo e o islamismo mesmo sem explosões e canhonaços.

E é daí que vem o ódio islâmico, não vem pelo espaço aéreo do Líbano ou de gaza. E ele não termina com passeatas no ocidente. Não precisamos de paz, precisamos de justiça, direitos iguais, uma nova abordagem mundial das diferenças e um amplo respeito a tradições. Quando essas questões forem realmente assimiladas sem arrogância religiosa as distancias ilusórias entre ocidente e oriente serão desfeitas.

O papa Shenouda III, líder da igreja ortodoxa copta do Egito, afirmou neste sábado que o orgulho católico vem trazendo inimigos.

"O homem (papa Bento XVI) faz inimigos toda vez. Em suas primeiras declarações há alguns meses, ele perdeu (o apoio de) todos os muçulmanos. E agora desta vez, ele perdeu muitas das congregações cristãs porque ele começou a falhar com os próprios cristãos", disse ao jornal Al-Ahram.

"Nós não somos contra os católicos terem orgulho de sua igreja, mas isso não significa que toda igreja que não se una a eles não seja uma igreja", criticou.

Louco Bento XVI não é, os tempos de ecumenismo se foram e o papa se comporta como o líder de um rebanho de 1 bilhão de pessoas que se encontra ameaçado especialmente na Europa. Com a tentativa de entrada da Turquia na UE(Na Turquia 98% da população é xiita e 1% é sunita). Seu tato foi como o de um papa que lutou contra muçulmanos pela espada, na idade média. Sutil como um soco no estomago. ^^

Que o diga carderal Fitzgerald, acessor do papa e principal articulador de uma aproximação entre o mundo cristão e islâmico. Teve os braços amarrados com uma canetada do santo padre, recebeu o posto de emissário no Egito e agora no Cairo tem papel decorativo.

É por isso que desde a virada deste século existe um apelo muito grande e um incentivo pras pessoas encontrarem sua liberdade e plenitude por si próprias.

Como dizia Bob

“Emancipate yourselves from mental slavery. None but ourselves can free our minds.”
“Emancipem a si mesmos da escravidão mental. Ninguém além de nós mesmos pode libertar nossas mentes.”

sábado, 19 de maio de 2007

O Poder enganoso da Coincidência

Te Freud, nego!
Todo o nosso dia, toda a nossa noite, em toda a nossa vida assimilamos uma pequena parte do mundo, inferimos o restante. É um mecanismo básico da mente humana. Por vezes ela se engana, em situações arbitrárias, que fogem aos respectivos padrões. Nessa hora muita coisa pode lhe fazer ter certeza do que não é. Estar convicto em uma conjuntura inadequada. Cuja causa é apenas o imaginário. ^^

Nesse post vamos falar de coincidências.

Quantas vezes pensamos em um amigo e minutos depois (PAN). O telefone toca e... É ELE! - PUTA COINCIDENCIA - COISA DO DESTINO MESMO - Mas quantas vezes pensamos em amigos durante o dia, no entanto, eles continuam não ligando. E ainda ligam de surpresa, às vezes.

Alguém saberia dizer qual a probabilidade de que duas pessoas tenham nascido no mesmo dia em uma sala de vinte alunos? Alguns poderiam ficar surpresos se isso acontecesse. E de imediato começariam a buscar explicações que poderiam ir desde um pé-de-coelho da sorte até uma ligação psíquica ou espiritual com essa pessoa.

O que iguala essas duas experiências é o nosso desejo intenso de explicá-las. Uma crença de que existe uma razão especial para que as coisas aconteçam da forma que acontecem.

Existem diversas razoes que levam uma pessoa a interpretar uma coincidência de maneira errada.

  1. Não compreendemos as leis que regem os números verdadeiramente grandes.
  2. Humanos não possuem uma compreensão nata de probabilidade.
  3. Acreditamos que todas as conseqüências devem ter agentes deliberados.
  4. Sucumbimos facilmente à validação seletiva (tendência de lembrar apenas as coisas positivas e esquecer um número muito maior de insucessos)
O real significado das mais surpreendentes coincidências pode ser entendido mais facilmente com a compreensão da 'lei dos números verdadeiramente grandes'. Amplamente aceita, ela postula que com uma amostra verdadeiramente grande. Mesmo um evento extremamente improvável torna-se provável. Portanto, qualquer absurdo estará fadado ao acontecimento.

Quando um número grande de pessoas esta envolvido, ocorrências 'incomuns' tornam-se possíveis. Essa visão dissipa a fumaça do mistério e põe o foco no lugar certo, na ciência.
A memória humana é, por vezes, falha, costuma armazenar com mais facilidade eventos recentes, dramáticos, felizes. E tende a esquecer aqueles que não significaram nada. Só fica o que realmente for essencial. - Agradeça a isso pela sua sanidade mental diária. - Mesmo vítimas de Alzheimer com problemas reais de memória podem lembrar facilmente de eventos espetaculares. Esse é o evento chamado 'Validação subjetiva', mais conhecido por 'memória seletiva'.

Um truque muito comum entre 'adivinhadores da sorte'. É fazer um número muito grande de previsões, usando mesmo que inconscientemente, da 'lei dos números verdadeiramente grandes. Fazem isso para aumentarem suas chances de acertarem UMA das previsões. E então convenientemente esperam que esqueçamos das outras 99,9% de previsões erradas. E é realmente isso que nosso cérebro faz nessa hora.

Daí entra outro fator que joga do lado do vidente, que é a tendência que você tem de fazer as coisas acontecerem, quando se esta convicto de que vão. Pode ser de um afobamento que te faça tomar naquela hora uma atitude que não seria tomada se você já não estivesse esperando por aquele fato. É como o princípio da incerteza. Você não pode prever o futuro e ao mesmo tempo viver nele. Pois vivenciando, inevitavelmente você o modificará.

Nossa habilidade de detecção de coincidências vem sendo aprimorada através das eras na evolução natural. Ser capaz de detectar correlações entre eventos poderia promover uma grande vantagem a nossos ancestrais. Assim, o homem foi programado pra procurar padrões e conexões em toda a parte. A cultura moderna entretanto, nos põe por dia 30 mil coisas a pensar, 30 mil a fazer, 30 mil a se preocupar. Com uma miríade de conexões entre eventos e pessoas. E nos põe a buscar e sugerir continuamente explicações psíquicas (que não existem). A invocar forças estranhas.

Cabe aqui um pensamento intertextual que me veio em mente:

- "Irei atribuir a uma causa desconhecida aquilo que posso atribuir facilmente apenas à segunda causa que conheço?" (Voltaire)

Não estou dizendo que coincidências não servem para nada. E seria louvável se buscássemos explicações. Mas é fato que a grande maioria das coincidências cairia por terra se analisadas criticamente, sem cegueira e sem pressa. Quando isso for levado em conta, com a verdadeira compreensão da validação seletiva, o poder ilusório da coincidência será percebido.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

O papa era pop

Tudo que é cultura religiosa que eu conheço nesse mundo faz referência a fauna, não só isso, tem-na como parte essencial e por vezes hão em documentos religiosos passagens em que animais interagem com homens. Outras vezes aparecem antropomorfizados.

Na religião católica a cobra é mostrada como uma das centenas de caras do diabo, talvez a primeira delas, quando incitou Eva a comer o fruto proibido e a oferecer ao seu marido. O fruto da árvore do centro do jardim do eden, aquela qual lhes fora ordenado que não comessem. O título do blog faz referência a essa parte. Quando ambos morderam a maçã se viram nús e tomaram de folhas para cobrir-se, esconderam-se envergonhados quando ouviram a voz do Senhor, que passeava pelo jardim. Em outras palavras tomaram consciencia da sua individualidade. Desde então o homem deixou de apenas viver e passou a ter o poder da escolha. O resultado foi catastrófico, já nas próximas gerações, nos conta gênesis. Caim matando Abel e depois de forma tão sistemática que levou a chover 40 dias e 40 noites e que fossem varridos da face da terra todos os corruptores.

Nada disso é história, é claro. É 'mitologia' antes de tudo. Exemplos somente... A cobra rasteja, penetra em orificios, emerge da terra sem aviso, é inevitavel a associação com as trevas.

Mas isso não vem tanto ao caso, eu quero falar é do papa. - I like the pope, the pope smokes dope. -

Nessa primeira visita ao Brasil e também a America Latina ele negou, leitores, a imposição do catolicismo aos nativos da America. Que em momento algum o evangelho supõe uma alienação das outras culturas.

As missões jesuitas funcionaram no Paraguai até 1768, no Brasil até 1750, na Argentina até 1696. E não pararam por vontade própria, foram expulsas por outros grupos que também queriam se aproveitar do trabalho indigena.

Nessa época o vaticano defendia a escravidão negra e repudiava a indigena. Por isso defendiam os índios e com isso compravam briga com os colonizadores, que financiados pela metrópole, travavam duras batalhas com o despreparado exército de índios. Tudo porque o vaticano acreditava que o índio temia mais a escravidão que a morte e que seu antigo D-us jamais teria condições defende-los do mal-colonizador.

Dezenas de milhões de índios foram assassinados, alguns povos dizimados totalmente sem interferência do vaticano como os Incas, os Mais e os Astecas em nosso continente. Além de outros no oriente, fiquemos pelas américas.

Ele afirmou, senhores, que "voltar a dar vida" às religiões pré-colombianas é uma "utopia" e seria um "retrocesso". Na mesma declaração em que ele disse não ter havido imposição.

Vejamos um pouco do curriculum de Bento XVII, facilmente comprovado com buscas google à fora:
  1. Ex-militante das Juventudes Hitleristas.
  2. Filho de um governador de Hitler e prefeito da Pus Dei.
  3. Foi um grande diplomata que procurou manter uma linha política que favoreceu desmesuradamente o capitalismo e por isso foi responsável pela morte de centenas de milhares de trabalhadores nas baionetas das oligarquias dos países industrializados.
Que D-us é esse, que é melhor que o D-us que vivia no consciente do artesão inca, do trabalhador asteca? que torna inexistente o D-us do guaraní?

Eles querem nos impor um sistema religioso como o concebem, a falsa promessa em troca do ouro. Que religião é essa que se espalha e se impõe com mentiras, exploração, genocídios, invasões, explosões e canhonaços?

Qual é o D-us que habita o consciente de Bento XVII e que o faz esquivar-se do que ele (D-us) determinou que era mau?

E assim foi

Olá, senhores, senhoras; brasileiros e brasileiras; jovens; estudantes; japoneses e japonesas; leitores do nosso Brasil.

Provavelmente alguns de vocês que estão começando a leitura já conheciam o meu antigo blog. E talvez um outro subgrupo dentro deste possa estar interessado em saber o que aconteceu, porque estou aqui escrevendo como se nada tivesse acontecido. Em respeito a todos os outros que não querem saber disso ou nunca leram um post meu antes, serei breve.

O causo é que como eu comentava frequentemente em meio às minhas besteiras, aquele blog era egoista, voltado unicamente ao desenvolvimento do meu senso crítico, gramático e sintático. Em outras palavras, eu estava precisando de uma forçinha pra passar no vestibular. E assim foi.

Agora eu estou muito menos ocupado, a faculdade é a maior matação, fiz mais um aniversário, vivi novas coisas e me motivei novamente para reabrir um blog. O anterior foi fechado devido ao grande espaço de tempo sem atualizações. Eis que na blogosfera renasceu mais um. Pensei num bom nome, num bom titulo, escolhi o leiaute menos pior e comecei a esperar surgir um bom assunto pra estrear. E vi que assim era bom. - E foi a manhã e tarde do dia quinto. -

Procurei assuntos tradicionais, desconfiei, pesquisei, escrevi umas 7 letras e disse: Frutificai e multiplicai-vos. E assim foi.