quarta-feira, 26 de setembro de 2007

A dureza concreta

Já parou pra contar quantas coisas escolheu pra serem necessárias? Pois eu andei pensando nisso, dia desses, na fila do ônibus. Não é novidade aqui entre meus leitores que algumas linhas aqui de Floripa operam sempre, ou pelo menos nos horários de pico, lotados.

E foi curioso observar como tanta gente se amassava, pisava e chutava levemente a panturrilha do outro pra ter onde sentar. Não é pra qualquer um, diz-se que suporta 85 pessoas em pé e 45 sentadas.

Aí rola a sessão reclamação, que é a hora onde aquelas pessoas que se pisaram como todos mas ficaram em pé, têm pra murmurar. Ou contra os poderosos das empresas de ônibus, coisa que já virou 'chiclê'. Ou contra um grupo de usuários, que não diferentemente das outras pessoas, se apressa em buscar um assento ou ainda em caso de individualidade extrema fura a fila.

Pois bem, não venho protestar por um transporte público e de qualidade. Afirmo que meu post de hoje serve até para aqueles que não pegam ônibus.

Vocês podem acreditar que ficar em pé pode danificar, quando não estragar completamente o humor de muitas pessoas? Mais grave ainda: Não ganhar na mega-sena pode também arruinar um dia?

A escolha de necessidades muitas vezes é inconsciente e se faz naturalmente, de acordo com o que nós nos acostumamos. O que é péssimo, não controlar necessidades significa infelicidade e insatisfação.

Quem além das próprias pessoas decide em que situações, o quanto se embirrar e pra quê? A resposta pra essa pergunta põe o foco da conjectura no lugar certo: na psicologia.

Quando iremos encontrar a verdadeira felicidade e atingir níveis razoáveis de satisfação se todos os dias nos frustramos pela não conformidade da vida real com uma porção de desejos e necessidades fúteis?

O auto-desconhecimento é tanto que se perguntadas, a maioria das pessoas não saberia enumerar o conjunto de coisas mais básicas que colaboram para a melhoria da qualidade de vida de cada uma delas. Estão muito hipnotizadas com a dureza concreta das construções pra perceber algumas gaivotas sobre o próprio telhado.

Meu mestre acredita que só existe felicidade com um rígido, contínuo e disciplinado programa de redução de necessidades. Ela não é possível sem saúde e saúde só é trivial para aquele que tem controle e compreensão dos seus sentidos.

"É a tua existência tonta, mais uma vez precisando de oração. Se o que te corre nas veias já não te sustenta mais, te resta o chão. O limite de onde nunca passarás. Senão pra vala comum com sete palmos à contar, pra tua pouca magreza dois ou três hão de bastar."

Entenderam?

3 comentários:

Dái disse...

Bom é que podemos aprender com as proprias circustancias. Tudo é valido sempre! Por pior que possa ser a situaçao. Observando por outro angulo podemos tirar algum proveito delas.
Acho que o basico de tudo, e fazer sem se importar se vai "doer".
Correr riscos faz bem. E pode acreditar que faz!
"Quando iremos encontrar a verdadeira felicidade e atingir níveis razoáveis de satisfação se todos os dias nos frustramos pela não conformidade da vida real com uma porção de desejos e necessidades fúteis?"

Carolina disse...

Legal Gustavo! Você escreve muito bem!! Adorei. Vou ficar o resto do dia pensando sobre minhas reais necessidades agora... hehehe

Abração da colega que tá aqui do lado!

anna disse...

até apanhei pra ler agora nessa letra pessima mas fico mto bom..
as vezes esqueço q tenho um amigo q escreve tão bem. Agora se tu for me perguntar quais são minhas reais necessidades, com certeza não vou saber te responder kaoepkaeo

;*